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Arquivo da categoria ‘Poesia’

Para Otto Lara Rezende, que responde – O que fazem, hoje, na manhã sem cartas os destinatários de Mário? – Tornam-se melhores? – Ou se quedaram avaros? – Teria o correio literário nacional se pervertido após a morte de Mário? – Ou acabaram os escribas missivistas-missionários? [...] Mas por compulsão escrevo quer tenha resposta ou [...]

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- O poeta é o ser-só? o dês-família? o homem-ilha? – Não há poeta burguês que chegue com o pão na mão? que leve filho ao colégio? e pague em dez prestações? – Poeta vai à feira? conserta porta e torneira? ou é tudo vate escolhido, mito e bem de família? que exige amor, devoção? [...]

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para Frei Betto Na madrugada em que Getúlio se matou eu, no interior de Minas, dormia impunemente em adolescentes lençóis. Os padeiros serviam pão nas janelas, e nos quintais os galos serviam a aurora – por cima dos generais. Outros dias se seguiram, com neblina, aveia e espanto, os padeiros servindo pão – para os [...]

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- Será que ela não entende que em tempos de ditadura a imaginação se anula e gera além da moldura na gravura outra gravura como um louco que descerra na escuridão de seus gestos a interna luz da loucura? [...] Lá vai o ditador entrando para a Academia com todos os votos: quarenta vivos – [...]

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Quando penso em escrever poemas – aterram-me sempre os terrais problemas. [...] pois quando compelido ao gesto do poema eu vou é pegando qualquer caneta ou lápis e papel [desembrulhado e escrevo escrevo entre britadeiras buzinas seqüestros salários coquetéis [televisão torturas e censuras e os tiroteios que cinco vezes ao dia disparam na favela ao [...]

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Penso: vai ver sonhamos certo e errada é a interpretação Ou será que sonhamos sonhos que não têm realização?

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Para Roberto da Matta Passeio pelas ruas de Amsterdã, mas não são os canais, como os de Veneza, que admiro, não são os hippies fumando haxixe e maconha e ócio pela praça, não são as mulheres vivas dentro das vitrinas à espera que alguém [lhes compre o sexo. O que me intriga é descobrir que [...]

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Da minha varanda outrora eu via o mar e a ilha antes de erguerem armadilhas e arranha-céus em nossos bolsos e vistas. Crimes, antigamente, não eram organizada guerrilha. Eram desastres aéreos que não ocorriam com a gente. Hoje sucedem-me na sala – entre um programa e outro, no quarteirão. – entre um legume e outro. [...]

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Para Roberto Drummond Em 1966 na Guatemala pela primeira vez vi cartazes de: “procuram-se guerrilheiros”. [...] O Brasil – país de vulcões brancos e negras lavas contidas, guerrilheiros não derramavam ainda suas mortes – nas encostas dos jornais. Estavam pelos bares, nos comícios, nos divãs do analistas tentando um novo casamento – e a ficção. [...]

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Para Moacyr Félix [...] assim eu amo este país que me desama. Deveria deixar de amá-lo como sub ser vivo e amá-lo ostensivo num tropel de bandeiras num estádio de urros e canções guerreiras? Amo este país como o hortelão cuida e corta a praga de sua horta Desde então eu amo este país – [...]

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