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Archive for maio \28\UTC 2010

a Luiz Ruffato

Onde estava você em 1980?

Qstava cursando Comunicação Social na Universidade Federal de Juiz de Fora.

O que é diferente  e semelhante no pais de ontem e hoje?

A diferença é total e absoluta: em 1980 estávamos sob uma ditadura militar; a economia ia de mal a pior; nós, os jovens, não tínhamos perspectivas de vida; o país preparava-se para entrar num atoleiro econômico, financeiro, cultural e de desagregação social. Hoje, quase todos esses índices foram superados: vivemos a melhor fase da história do Brasil, com economia em crescimento (estimativa de 8% do PIB para este ano) puxando todo o resto. Os jovens estão otimistas quanto ao futuro, o país definitivamente ganhou um lugar na cena global e vivemos o mais extenso período de democracia da nossa história! Claro, há problemas: precisamos ainda melhorar as condições da educação, saúde e segurança… Mas, pelo menos no meu caso, acho que vivo num país infinitamente melhor hoje…

Luiz Ruffato
Jornalista e autor de Eles Eram Muitos Cavalos e O livro das impossibilidades, entre outros.


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20.05.2010

Algumas experiências durante esse pré-relançamento de QUE PAIS É ESTE?

1. Fui falar há dias para jovens (dos 12 aos 17 anos) no Colégio Cervantes (SP) e no Centro Integral (MG). São colégios sofisticados. O ano de 1980, data do lançamento do livro, é bem distante para aqueles alunos, e, no entanto, a questão permanece: que país era aquele de minha geração? Que tempos são estes de pós-modernidade e de uma cultura “matrix”, que mistura o real e o virtual, o centro e a periferia? O que será deste país daqui a 30 anos quando essa geração estiver no poder?

2. No dia 21 falei na Cátedra da Leitura (Unesco/PUC-RJ) sobre QUE PAIS É ESTE? Rastreei a estória do livro e do país. Ao final solicitei que as pessoas do público respondessem a essa questão que outras personalidades estão respondendo aqui neste blog: 1- onde estava você em 1980, 2) diferenças e semelhanças entre o país de ontem e hoje.

Depoimentos tocantes, simples, sintomáticos.

Melhoramos em muitos aspectos, mas a perplexidade continua.

Affonso Romano de Sant’Anna

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a Simon Schwartzman

Onde estava você em 1980?

Em 1980 eu morava no Rio de Janeiro, trabalhando no IUPERJ e na Fundação Getúlio Vargas, depois de alguns anos na FINEP, aonde eu tinha coordenado uma pesquisa sobre a formação da comunidade científica brasileira. No  FGV, eu trabalhava no CPDOC, em um trabalho, que levou ao livro “Tempos de Capanema”, escrito em parceria com Helena Bomeny  Wanda Costa.

Olhando para trás, eu penso que aqueles para mim eram anos de otimismo, o Brasil ainda era o país do futuro. O regime militar estava chegando ao fim, e havia a esperança de que, com a abertura, o país poderia florescer, entrando em uma nova era de crescimento, modernização e exercício da liberdade e da democracia.  Já havia sinais, no entanto, em 1980, que as coisas não seriam tão fáceis, com o fim do “milagre” econômico  e  o recrudescimento da repressão e da violência política no período Figueiredo.  O Rio de Janeiro, nas mãos de Chagas Freitas, já começava a mostrar os sinais do deterioro que se acentuaria mais tarde com Leonel Brizolla, mas ainda era, na minha lembrança da Zona Sul, uma cidade agradável de viver.

Muita água correu desde então.  A crise econômica que se iniciou com o choque do petróleo de 1979 deu início à “década perdida” dos 80, e a “Nova República” de José Sarney, clientelista, corrupta e caótica, mostrou que o caminho da reconstrução democrática não seria nada fácil. Entramos aos trambolhões na década de 90, com Collor e o confisco das contas bancárias, seguido do jardineiro Itamar e, meio que por milagre, uma solução aparentemente definitiva do caos econômico e financeiro com o Plano Real, que levaria Fernando Henrique Cardoso à presidência. Para mim, o maior mérito do período de Fernando Henrique foi o grande esforço de “arrumar a casa”, equilibrando a economia, reduzindo o peso morto de boa parte das empresas estatais e criando as condições para que a  economia retomasse o crescimento, quando a turbulência internacional permitisse, o que só veio a ocorrer no governo Lula.

O que diferencia e assemelha o Brasil 1980 e 2010?
Olhando o Brasil de hoje, vejo que muita coisa melhorou destes últimos 20 anos, mas fico perplexo quando vejo tantas pessoas achando que, com Lula, o país do futuro finalmente se fez presente. Outro dia o IPEA publicou umas estatísticas dizendo que a pobreza no Brasil acaba em menos de 10 anos;  o Ministério da Educação projeta para 2022 o ano em que nossos estudantes chegarão ao nível dos estudantes europeus; na arena internacional, damos um quinau nos Estados Unidos e resolvemos a crise do Irã; o Estado se agiganta novamente, tirando a Telebrás do caixão e criando novas estatais para o trem bala e para o petróleo do pré-sal, que deixará a Arábia Saudita no chinelo;  teremos a Copa do Mundo, que seguramente ganharemos, e depois as Olimpíadas; e, para ir adiantando o serviço, o Congresso aumenta os salários dos funcionários públicos e antecipa as aposentadorias, acabando com o maldito fator previdenciário!  Em algo esta mania de Brasil grande me lembra os anos de Geisel, e fico com o temor de que estejamos às vésperas de outra década perdida, sem conseguir enfrentar as duras realidades do caos urbano, da falência dos servicos públicos, das crises de energia e do estrangulamento da economia pelo excesso de impostos e pela competitividade internacional, e expostos ao populismo que sempre surge nestas horas de dificuldade, para colocar a culpa nos outros pelos nossos próprios erros e nossa própria arrogância.

Tony Judt, no prefácio de uma coletânea de ensaios sobre intelectuais e eventos do século XX (Reappraisals: reflections on the forgotten twentieth century, Penguin Books, 2008) diz que, “de todas as nossas ilusões contemporâneas, nenhuma é mais perigosa do que a que está na base de todas as outras: a de que vivemos em uma época sem precedentes, que o que está acontecendo hoje é novo e irreversível, e que o passado não tem nada a nos ensinar – exceto quando o usamos para buscar exemplos que nos possam ser úteis.”  Nunca antes, na história deste país….  Quem foi que disse que “aqueles que esquecem o passado estão condenados a repetí-lo?”

Simon Schwartzman

Cientista político. É pesquisador do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade no Rio de Janeiro.

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20.05.2010

Algumas experiências durante esse pré-relançamento de QUE PAIS É ESTE?

1. Fui falar há dias para jovens (dos 12 aos 17 anos) no Colégio Cervantes (SP) e no Centro Integral (MG). São colégios sofisticados. O ano de 1980, data do lançamento do livro, é bem distante para aqueles alunos, e, no entanto, a questão permanece: que país era aquele de minha geração? Que tempos são estes de pós-modernidade e de uma cultura “matrix”, que mistura o real e o virtual, o centro e a periferia? O que será deste país daqui a 30 anos quando essa geração estiver no poder?

2. No dia 21 falei na Cátedra da Leitura (Unesco/PUC-RJ) sobre QUE PAIS É ESTE? Rastreei a estória do livro e do país. Ao final solicitei que as pessoas do público respondessem a essa questão que outras personalidades estão respondendo aqui neste blog: 1- onde estava você em 1980, 2) diferenças e semelhanças entre o país de ontem e hoje.

Depoimentos tocantes, simples, sintomáticos.

Melhoramos em muitos aspectos, mas a perplexidade continua.

Affonso Romano de Sant’Anna

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“Affonso Romano de Sant’Anna serviu como poeta nas tropas de choque dos que combateram em campo aberto a ditadura militar. “A implosão da mentira ou o episódio do Riocentro” exemplifica a ousadia da denúncia e a convocação à desobediência civil que é, em si e por si mesma, uma evidência da rebelião em marcha (não uma ‘rebelião latente’, mas o Basta! Final…) O diagnóstico poético da verdade, ao tornar-se político, transcende aos  dados de fato da consciência”

Florestan Fernandes

Sociólogo e professor universitário, com mais de cinquenta obras publicadas, Florestan Fernandes transformou o pensamento social no país e estabeleceu um novo estilo de investigação sociológica, marcado pelo rigor analítico e crítico.




A implosão da mentira ou o episódio do Riocentro
por Affonso Romano e Remy Loeffler

*Outras poesias musicadas aqui.

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4.5.2010

Estou lendo as provas dessa edição comemorativa de QUE PAIS É ESTE? Estranha sensação reler detidamente os textos escritos há uns 40 anos, pois embora a edição fosse de 1980, esses textos foram escritos na década de 70.

De repente, efeito proustiano, caio no passado, ou melhor, sou trespassado pelo tempo. Era impossível imaginar esse país de hoje, ou seja, que os guerrilheiros e marginais de ontem estariam democraticamente no poder hoje.

É um livro doloroso. Contra a parede. Os índios, os pobres, as mulheres, a natureza, a consciência ecológica, a redefinição do que seja povo, a desilusão ideológica, os impasses da arte formalista e alienada, a crescente violência urbana, a redescoberta da infância, uma outra visão da mulher e do amo, enfim, – tudo estava lá latejante.

Affonso Romano de Sant’Anna

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Já temos a capa da nova edição de Que País é Este?, o que vocês acharam?

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