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Archive for junho \28\UTC 2010

para Frei Betto

Na madrugada em que Getúlio

se matou

eu, no interior de Minas,

dormia impunemente

em adolescentes lençóis.

Os padeiros serviam pão

nas janelas, e nos quintais

os galos serviam a aurora

– por cima dos generais.

Outros dias se seguiram,

com neblina, aveia e espanto,

os padeiros servindo pão

– para os parvos comensais

e os galos servindo a história

– pela mão dos generais.

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17.06.2010

Fui almoçar com três “meninas” da Rocco: Cintia e Adriana que cuidam da  divulgação  e a Ana Duarte que devia chamar-se Ana D’Arte, pois é quem cuida da ” arte “, ou seja, das capas, apresentação gráfica, etc.
Estávamos ali no Clube Ginástico (-e editar e escrever livros virou mesmo uma ginástica). Conversávamos sobre como lançar, divulgar um livro como QUE PAIS É ESTE? nesta fragmentada sociedade pós-moderna.
Ana e Cintia me dizem algo alarmante: “Numa época em que um livro não dura três meses na livraria, relançar um livro que celebra 30 anos de vida é uma proeza” .
Vocês viram aqui neste blog diversas pessoas falando de suas emoções  há 30 anos e suas emocões hoje. Pois faço uma revelação: a Ana D’Arte, ela mesma, há 30 anos, trabalhava na Editora Civilização Brasileira. E coisas do destino: ela é também confeccionou  aquele livro que teve capa do então jovem Victor Burton.
Não quero assustar ninguém: 30 anos passam rápidos. Daqui a pouco será 2.040. Já marquei outro almoço com Cintia, Adriana e Ana para daqui a 30 anos.

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Os blogs Nova Coletânea e Literacia, através do projeto “Brasil que te quero outro” estão homenageando Affonso Romano durante o lançamento de QUE PAIS É ESTE?

Na E.E. Santa Rita de Cássia, em Viçosa, iniciaram-se o debates, conforme relata o professor Bruno Ramos.


Confira: Nova Coletânea


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Affonso Romano de Sant’Anna já autografou os três exemplares da nova edição de “Que País é este?” para os vencedores do primeiro Concurso Cultural. Agora, vamos propor um novo desafio.

O Concurso Cultural deste mês vai premiar as 3 melhores fotos com o tema “Que País é este?”. A imagem deve ser de autoria do participante, caso contrário este será desqualificado. O prêmio: a nova edição do livro autografada pelo autor.
As fotos devem ser enviadas para o e-mail quepaiseesteolivro@gmail.com até o dia 16/7. O resultado sai no dia 30/07.
Participem!

Antes de enviar sua resposta, leia o Regulamento na próxima página.

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“O livro Que País é Este? questionará a identidade do povo brasileiro e o seu papel no mundo moderno, mas ao contrário de A Grande Fala do Índio Guarani, que era um longo e homogêneo poema, este é uma gesta em fragmentos, desencantada e distópica, pois que a (má) consciência histórica, que é o sujeito (abstrato) de muitos destes poemas, se confronta com os dilemas do passado, do presente e do futuro, e a identidade brasileira equaciona-se em termos de uma dialética Novo/Velho Mundo, procurando-se entre a matriz da cultura européia (via Portugal, ex-colonizador) e a da cultura americana: “Ou deveria, enfim, jejuar na Torre do Tombo/ comendo o que as traças descomem// procurando/ o Quinto Império, o primeiro portulano, a viciosa visão do paraíso/ que nos impeliu a errar aqui?”. Como em A Grande Fala do Índio Guarani, surge a mesma interrogação acerca do papel do homem brasileiro no mundo moderno: “somos índios perdidos/ na eletrônica oficina”. O sujeito, qual espírito da história, sobrevoa o povo brasileiro, mas está ao mesmo tempo no meio dele, ama-o e renega-o de uma vez só. Pelo meio surgem interrogações acerca do papel do poeta brasileiro no mundo moderno (“Onde estamos os poetas desta terra?”), e toma-se partido por um poeta que cultive uma poesia mais perto do chão, que traga o ambiente familiar, a geografia humana do bairro, da rua, da casa, os pequenos acontecimentos do quotidiano, para dentro do poema, como em “O Poeta e a Família”, mas que não esqueça um certo páthos ocidental, como no poema “Eros e Tanatos”, onde a pulsão sexual, sintoma da vida em todo o seu excesso e descontrolo, se projeta sobre a morte, só aparentemente a sua antítese.”

Rui Lage

Poeta português, autor de quatro livros de poesia. Tradutor de Paul Auster, Samuel Beckett e Pablo Neruda.

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– Será que ela não entende

que em tempos de ditadura

a imaginação se anula

e gera além da moldura

na gravura

outra gravura

como um louco que descerra

na escuridão de seus gestos

a interna luz da loucura?

[…]

Lá vai o ditador

entrando para a Academia

com todos os votos:

quarenta vivos

– e cinco mortos.

O ditador pinta o sete com so políticos

é futurista regionaista, é político apartidário

é fala de fome e povo

– num painel de Portinari.

O ditador aprende com Niemayer a arquitetar o poder,

mistura discurso e ferro, argamassa promessa e areia

e enreda o povo e a esperança como um aranha na teia.

O ditador é pequeno, mas não é bobo,

é capaz de solo e coro

é sem que Villa-Lobos veja

se oculta na partitura

e surge na praça rindo

regendo e encantando o povo

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a Pedro Bial

Onde você estava em 1980 e o que é diferente e semelhante no país de ontem e de hoje?

Em 1980, eu ansiava por democracia. Hoje, anseio por democratas.

Pedro Bial

Jornalista e apresentador.

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