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Archive for the ‘Affonso Romano de Sant’Anna pergunta’ Category

a Pedro Bial

Onde você estava em 1980 e o que é diferente e semelhante no país de ontem e de hoje?

Em 1980, eu ansiava por democracia. Hoje, anseio por democratas.

Pedro Bial

Jornalista e apresentador.

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a Joel Ruffino dos Santos

Onde você estava em 1980?

Estava em São Paulo de mudança para o Rio.

O que é diferente e semelhante no país de ontem e de hoje?

Um país se redefine sem cessar. Cada geração é sustentada por uma certa cadeia de idealizações. A de 30 anos atrás se rompeu: não cremos mais em fronteiras ideológicas, destino manifesto, natureza pródiga, país do futuro, história incruenta, socialismo inevitável, democracia racial etc. Talvez a mais espetacular dessas desilusões foi a de que não somos uma democracia racial, salvo no desejo. O mito começou a ruir precisamente nos anos 80. A questão racial se tornou nacional, ganhou caráter político. Este agendamento da questão racial ampliou a democracia brasileira, apesar dos equívocos, oposições e contramarchas. Pode-se dizer que a luta organizada contra o racismo, o peculiar racismo brasileiro, fez a diferença nos últimos 20 anos. A semelhança entre ontem e hoje é o vigor do processo civilizatório brasileiro, que já se mostrava quando ainda éramos monarquia, uma sofisticação cultural decorrente do encontro prolongado de muitas culturas.


Joel Rufino dos Santos

Historiador, professor e escritor brasileiro. É um dos nomes de referência sobre cultura africana no país.

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a Luiz Ruffato

Onde estava você em 1980?

Qstava cursando Comunicação Social na Universidade Federal de Juiz de Fora.

O que é diferente  e semelhante no pais de ontem e hoje?

A diferença é total e absoluta: em 1980 estávamos sob uma ditadura militar; a economia ia de mal a pior; nós, os jovens, não tínhamos perspectivas de vida; o país preparava-se para entrar num atoleiro econômico, financeiro, cultural e de desagregação social. Hoje, quase todos esses índices foram superados: vivemos a melhor fase da história do Brasil, com economia em crescimento (estimativa de 8% do PIB para este ano) puxando todo o resto. Os jovens estão otimistas quanto ao futuro, o país definitivamente ganhou um lugar na cena global e vivemos o mais extenso período de democracia da nossa história! Claro, há problemas: precisamos ainda melhorar as condições da educação, saúde e segurança… Mas, pelo menos no meu caso, acho que vivo num país infinitamente melhor hoje…

Luiz Ruffato
Jornalista e autor de Eles Eram Muitos Cavalos e O livro das impossibilidades, entre outros.


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a Roberto DaMatta

Onde estava você em 1980?

Em 1980 eu estava dando aulas na Universidade de Wisconsin. Ocupava a Cátedra Thinker Visiting Professor e, convidado por Thomas Skidmore, o celebrado brasilianista, expus o que havia escrito no meu livro “Carnavais, Malandros e Heróis”: para uma sociologia do dilema brasileiro.

O que diferencia e assemelha o Brasil de 1980 com o de 2010?

Acho que hoje, graças ao governo Lula e ao fato de termos finalmente a esquerda no poder (já tem quase uma decada), há um conjunto de temas e atitudes convergentes no Brasil. Uma delas é a suspensão do tabu de que se não pode criticar qualquer viés considerado esquerdista, embora muitas vezes esses vieses fossem de fato, pedras angulares do bom e velho liberalismo como, por exemplo, ter o direito de criticar e ser diferente. Um outro ponto é a continuidade da politica financeira e econômica, ancorada na estabilidade do Real que eu tomo como uma revolução brasileira. Essa modernização financeira tem uma racionalidade que leva a maior consumo, a maior planejamento, e a uma maior sensibilidade por parte do povo relativamente a gastos e, acima de tudo, ineficiências governamentais. A maior delas sendo uma imoral corrupção, reveladora de que o estado brasileiro tem um desenho aristocrático e o propósito de enriquecer os seus mais altos funcionários. Penso que hoje há, igualmente, um acordo que o estado não é mais sagrado nem ponto de referência para o sistema que tende a ser ancorado na sociedade.

Em suma: estamos muito mais juntos em muitas questões básicas do que em 1980. Temos mais unanimidades.

Roberto DaMatta

Autor de diversas obras de referência na antropologia, sociologia  e ciência política, como “Carnavais, Malandros e Heróis”, “A casa e a rua” ou “O que faz o brasil, Brasil?”.

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a Edmar Bacha


Onde estava você em 1980?

Rio de Janeiro, professor do departamento de economia da PUC-Rio.

O que diferencia e assemelha o Brasil de 1980 com o de 2010?

A principal diferença é o regime político — ditadura, então; democracia, agora. General Figueiredo, que gostava do cheiro de cavalo mais do que do povo, presidia os estertores do regime militar. Delfim Netto, o mesmo para quem havia que crescer primeiro para distribuir depois, estava de volta como czar da economia, inicialmente para “combater a inflação através da aceleração do crescimento”, mas já no final de 1980 implantando uma rígida política recessiva. Sofríamos as consequências do segundo choque do petróleo e estávamos sobre o impacto do choque de juros promovido por Paul Volcker em 1979. À moratória mexicana em 1982, seguiu-se nossa própria moratória–e o fim melancólico do regime militar. Seguiu-se uma década, perdida na economia–incluindo o fracasso do Plano Cruzado–, mas ganha na restauração da democracia. A “Constituição cidadã” de 1988 prometeu mais do que a economia podia então cumprir, mas deu ao “país partido” um sentido de comunhão e solidariedade. Collor sacudiu os alicerces da economia endividada, inflacionada, estatizada e fechada que herdáramos dos militares, mas consumiu-se numa corrupção colossal. As pacíficas demonstrações das “caras pintadas” apontaram para um novo Brasil–que floresceu com o sucesso do Plano Real. Tivemos então ganhos importantes, porque passamos no teste da estabilidade econômica, com a introdução do regime de metas para a inflação em 1999, e depois no teste da estabilidade política com a transição de FH para Lula em 2002. Assim, institucionalizamos a transição política, iniciada com a Constituição em 1988, e a transição econômica, iniciada com o Plano Real em 1994. O país virou “normal”, e, com uma mãozinha da China, conseguiu retomar o crescimento econômico, desta vez acompanhado de distribuição da renda. Os desafios a vencer são a educação ruim, a infraestructura inadequada, a violência urbana e a corrupção na política.

Edmar Bacha

Economista brasileiro que fez parte da equipe que instituiu o Plano Real.

Se você fosse o entrevistado, o que responderia?

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