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Archive for the ‘Poesia’ Category

Para Otto Lara Rezende, que responde

– O que fazem, hoje, na manhã

sem cartas

os destinatários

de Mário?

– Tornam-se melhores?

– Ou se quedaram avaros?

– Teria o correio literário

nacional se pervertido

após a morte de Mário?

– Ou acabaram os escribas

missivistas-missionários?

[…]

Mas por compulsão escrevo

quer tenha resposta ou não,

há muito que correspondo

com meu próprio imaginário.

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– O poeta é o ser-só?

o dês-família?

o homem-ilha?

– Não há poeta burguês

que chegue com o pão na mão?

que leve filho ao colégio?

e pague em dez prestações?

– Poeta vai à feira?

conserta porta e torneira?

ou é tudo vate escolhido, mito e bem de família?

que exige amor, devoção?

CONCURSO CULTURAL

** Lembrando que vocês têm até o dia 16/7 para enviar uma foto que responda a pergunta “Que País é Este?” para o e-mail quepaiseesteolivro@gmail.com . Os autores das três melhores imagens ganham um exemplar da nova edição do livro autografada por Affonso Romano. Para saber mais, acessem a página do concurso.

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para Frei Betto

Na madrugada em que Getúlio

se matou

eu, no interior de Minas,

dormia impunemente

em adolescentes lençóis.

Os padeiros serviam pão

nas janelas, e nos quintais

os galos serviam a aurora

– por cima dos generais.

Outros dias se seguiram,

com neblina, aveia e espanto,

os padeiros servindo pão

– para os parvos comensais

e os galos servindo a história

– pela mão dos generais.

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– Será que ela não entende

que em tempos de ditadura

a imaginação se anula

e gera além da moldura

na gravura

outra gravura

como um louco que descerra

na escuridão de seus gestos

a interna luz da loucura?

[…]

Lá vai o ditador

entrando para a Academia

com todos os votos:

quarenta vivos

– e cinco mortos.

O ditador pinta o sete com so políticos

é futurista regionaista, é político apartidário

é fala de fome e povo

– num painel de Portinari.

O ditador aprende com Niemayer a arquitetar o poder,

mistura discurso e ferro, argamassa promessa e areia

e enreda o povo e a esperança como um aranha na teia.

O ditador é pequeno, mas não é bobo,

é capaz de solo e coro

é sem que Villa-Lobos veja

se oculta na partitura

e surge na praça rindo

regendo e encantando o povo

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Quando penso em escrever poemas

– aterram-me sempre os terrais problemas.

[…]

pois quando compelido ao gesto do poema

eu vou é pegando qualquer caneta ou lápis e papel

[desembrulhado

e escrevo

escrevo entre britadeiras buzinas seqüestros salários coquetéis

[televisão torturas e censuras

e os tiroteios

que cinco vezes ao dia

disparam na favela ao lado

metrificando assim meu verso marginal de perseguido

que vai cair baldio num terreno abandonado.

Rainer Maria Rilke

Foi um dos mais importantes poetas de língua alemã do século XX. Autor de O Livro das Horas.



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Penso:

vai ver sonhamos certo

e errada é a interpretação

Ou será que sonhamos sonhos

que não têm realização?

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Para Roberto da Matta


Passeio pelas ruas de Amsterdã,

mas não são os canais, como os de Veneza, que admiro,

não são os hippies fumando haxixe e maconha e ócio pela praça,

não são as mulheres vivas dentro das vitrinas à espera que alguém

[lhes compre o sexo.

O que me intriga

é descobrir

que fim levaram os 11 índios meninos

(cada um de uma tribo) que Nassau embarcou consigo

quando deixou vencido o Recife.

[…]

Os ricos e reis

adoram das bichos e gente

de presente.

Os pobres e índios

que resistem o quanto podem,

se enredando e de rendendo,

virando móvel e parente,

ou somem nos palácios e navios

entre quentes coxas das princesas

e a espada fria dos senhores.

[…]

Estou perdido na Europa. E nunca fui ao Xingu,

sequer pisei o Araguaia.

Quando chegarei às colônias jesuítas, que arrasamos

junto ao Paraguai?

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