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Archive for the ‘Uncategorized’ Category

Os blogs Nova Coletânea e Literacia, através do projeto “Brasil que te quero outro” estão homenageando Affonso Romano durante o lançamento de QUE PAIS É ESTE?

Na E.E. Santa Rita de Cássia, em Viçosa, iniciaram-se o debates, conforme relata o professor Bruno Ramos.


Confira: Nova Coletânea


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a Simon Schwartzman

Onde estava você em 1980?

Em 1980 eu morava no Rio de Janeiro, trabalhando no IUPERJ e na Fundação Getúlio Vargas, depois de alguns anos na FINEP, aonde eu tinha coordenado uma pesquisa sobre a formação da comunidade científica brasileira. No  FGV, eu trabalhava no CPDOC, em um trabalho, que levou ao livro “Tempos de Capanema”, escrito em parceria com Helena Bomeny  Wanda Costa.

Olhando para trás, eu penso que aqueles para mim eram anos de otimismo, o Brasil ainda era o país do futuro. O regime militar estava chegando ao fim, e havia a esperança de que, com a abertura, o país poderia florescer, entrando em uma nova era de crescimento, modernização e exercício da liberdade e da democracia.  Já havia sinais, no entanto, em 1980, que as coisas não seriam tão fáceis, com o fim do “milagre” econômico  e  o recrudescimento da repressão e da violência política no período Figueiredo.  O Rio de Janeiro, nas mãos de Chagas Freitas, já começava a mostrar os sinais do deterioro que se acentuaria mais tarde com Leonel Brizolla, mas ainda era, na minha lembrança da Zona Sul, uma cidade agradável de viver.

Muita água correu desde então.  A crise econômica que se iniciou com o choque do petróleo de 1979 deu início à “década perdida” dos 80, e a “Nova República” de José Sarney, clientelista, corrupta e caótica, mostrou que o caminho da reconstrução democrática não seria nada fácil. Entramos aos trambolhões na década de 90, com Collor e o confisco das contas bancárias, seguido do jardineiro Itamar e, meio que por milagre, uma solução aparentemente definitiva do caos econômico e financeiro com o Plano Real, que levaria Fernando Henrique Cardoso à presidência. Para mim, o maior mérito do período de Fernando Henrique foi o grande esforço de “arrumar a casa”, equilibrando a economia, reduzindo o peso morto de boa parte das empresas estatais e criando as condições para que a  economia retomasse o crescimento, quando a turbulência internacional permitisse, o que só veio a ocorrer no governo Lula.

O que diferencia e assemelha o Brasil 1980 e 2010?
Olhando o Brasil de hoje, vejo que muita coisa melhorou destes últimos 20 anos, mas fico perplexo quando vejo tantas pessoas achando que, com Lula, o país do futuro finalmente se fez presente. Outro dia o IPEA publicou umas estatísticas dizendo que a pobreza no Brasil acaba em menos de 10 anos;  o Ministério da Educação projeta para 2022 o ano em que nossos estudantes chegarão ao nível dos estudantes europeus; na arena internacional, damos um quinau nos Estados Unidos e resolvemos a crise do Irã; o Estado se agiganta novamente, tirando a Telebrás do caixão e criando novas estatais para o trem bala e para o petróleo do pré-sal, que deixará a Arábia Saudita no chinelo;  teremos a Copa do Mundo, que seguramente ganharemos, e depois as Olimpíadas; e, para ir adiantando o serviço, o Congresso aumenta os salários dos funcionários públicos e antecipa as aposentadorias, acabando com o maldito fator previdenciário!  Em algo esta mania de Brasil grande me lembra os anos de Geisel, e fico com o temor de que estejamos às vésperas de outra década perdida, sem conseguir enfrentar as duras realidades do caos urbano, da falência dos servicos públicos, das crises de energia e do estrangulamento da economia pelo excesso de impostos e pela competitividade internacional, e expostos ao populismo que sempre surge nestas horas de dificuldade, para colocar a culpa nos outros pelos nossos próprios erros e nossa própria arrogância.

Tony Judt, no prefácio de uma coletânea de ensaios sobre intelectuais e eventos do século XX (Reappraisals: reflections on the forgotten twentieth century, Penguin Books, 2008) diz que, “de todas as nossas ilusões contemporâneas, nenhuma é mais perigosa do que a que está na base de todas as outras: a de que vivemos em uma época sem precedentes, que o que está acontecendo hoje é novo e irreversível, e que o passado não tem nada a nos ensinar – exceto quando o usamos para buscar exemplos que nos possam ser úteis.”  Nunca antes, na história deste país….  Quem foi que disse que “aqueles que esquecem o passado estão condenados a repetí-lo?”

Simon Schwartzman

Cientista político. É pesquisador do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade no Rio de Janeiro.

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Já temos a capa da nova edição de Que País é Este?, o que vocês acharam?

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Jornal do Brasil - 1981

Achei o texto de uma conferência que fiz no ano 2000, a propósito das celebrações dos 500 anos da descoberta, no qual havia esse trecho:
“Como entender o Brasil, a propósito desses 500 anos?
Nos anos 80, na esteira do livro “Que país é este?” fiz uma série de conferências pelo país abordando a questão. Em quase todas as oportunidades eu usava de uma estratégica pedagógica e interativa. Pedia às pessoas do auditório, antes que eu começasse a dizer qualquer coisa, que escrevessem num pedaço de papel, que eu recolheria, a primeira palavra, a primeira idéia que lhes ocorria como definição do Brasil ou do caráter do brasileiro. Fiz isto em palestras na IBM, em Furnas, na Embratel, etc.
O resultado não era muito auspicioso.
As palavras mais comuns eram: corrupto, preguiçoso, brincalhão, samba, carnaval, conformado, alienado, subdesenvolvido, colonizado, etc.

Havia uma atitude crítica, sempre revelando falta de auto-estima.”
Seria interessante fazer o mesmo teste hoje, ou tê-lo feito há 50 anos, ou se fosse possível, há 200 anos.
Volta e meia agências de publicidade revelam pesquisas sobre a questão da auto-estima e me vem aquela frase que Nelson Rodrigues crivou: “o brasileiro é um narciso às avessas, pois cospe na própria imagem”.

Affonso Romano de Sant’Anna

Enquete da semana: Qual é a palavra que define o Brasil?

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