Feeds:
Posts
Comentários

Posts Tagged ‘Índios Meninos’

a Roberto DaMatta

Onde estava você em 1980?

Em 1980 eu estava dando aulas na Universidade de Wisconsin. Ocupava a Cátedra Thinker Visiting Professor e, convidado por Thomas Skidmore, o celebrado brasilianista, expus o que havia escrito no meu livro “Carnavais, Malandros e Heróis”: para uma sociologia do dilema brasileiro.

O que diferencia e assemelha o Brasil de 1980 com o de 2010?

Acho que hoje, graças ao governo Lula e ao fato de termos finalmente a esquerda no poder (já tem quase uma decada), há um conjunto de temas e atitudes convergentes no Brasil. Uma delas é a suspensão do tabu de que se não pode criticar qualquer viés considerado esquerdista, embora muitas vezes esses vieses fossem de fato, pedras angulares do bom e velho liberalismo como, por exemplo, ter o direito de criticar e ser diferente. Um outro ponto é a continuidade da politica financeira e econômica, ancorada na estabilidade do Real que eu tomo como uma revolução brasileira. Essa modernização financeira tem uma racionalidade que leva a maior consumo, a maior planejamento, e a uma maior sensibilidade por parte do povo relativamente a gastos e, acima de tudo, ineficiências governamentais. A maior delas sendo uma imoral corrupção, reveladora de que o estado brasileiro tem um desenho aristocrático e o propósito de enriquecer os seus mais altos funcionários. Penso que hoje há, igualmente, um acordo que o estado não é mais sagrado nem ponto de referência para o sistema que tende a ser ancorado na sociedade.

Em suma: estamos muito mais juntos em muitas questões básicas do que em 1980. Temos mais unanimidades.

Roberto DaMatta

Autor de diversas obras de referência na antropologia, sociologia  e ciência política, como “Carnavais, Malandros e Heróis”, “A casa e a rua” ou “O que faz o brasil, Brasil?”.

Anúncios

Read Full Post »

Para Roberto da Matta


Passeio pelas ruas de Amsterdã,

mas não são os canais, como os de Veneza, que admiro,

não são os hippies fumando haxixe e maconha e ócio pela praça,

não são as mulheres vivas dentro das vitrinas à espera que alguém

[lhes compre o sexo.

O que me intriga

é descobrir

que fim levaram os 11 índios meninos

(cada um de uma tribo) que Nassau embarcou consigo

quando deixou vencido o Recife.

[…]

Os ricos e reis

adoram das bichos e gente

de presente.

Os pobres e índios

que resistem o quanto podem,

se enredando e de rendendo,

virando móvel e parente,

ou somem nos palácios e navios

entre quentes coxas das princesas

e a espada fria dos senhores.

[…]

Estou perdido na Europa. E nunca fui ao Xingu,

sequer pisei o Araguaia.

Quando chegarei às colônias jesuítas, que arrasamos

junto ao Paraguai?

Read Full Post »